O presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu a campo para buscar o apoio dos governadores tucanos para a prorrogação da cobrança da CPMF. A idéia é fazer com que os governadores tentem persuadir os senadores da bancada a votar a favor da matéria. Os senadores do PSDB já anunciaram que votarão contra a PEC (proposta de emenda constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. O esforço do presidente parece já ter surtido efeito. O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima, defendeu publicamente hoje a cobrança da CPMF durante o 3º congresso do PSDB. “Nós criamos o imposto, não fica bem adotar uma posição contraditória”, disse ele. A defesa da CPMF por Cunha Lima acontece um dia depois do tucano se encontrar com Lula no Palácio do Planalto. De acordo com o “Painel” da Folha, editado por Renata Lo Prete (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL), Cunha Lima negociou ontem com o presidente a liberação de verbas do PAC para a Paraíba e meios de garantir o voto do senador e correligionário Cícero Lucena a favor da CPMF. Hoje, Cunha Lima afirmou que outros governadores do PSDB também são favoráveis à cobrança da CPMF. “Você tem cinco governadores defendendo a manutenção da CPMF e a bancada do PSDB [no Senado] faz ouvido de mercador para isso. Estamos diante de um impasse grave para nos organizar.” Segundo ele, o voto do PSDB seria diferente se o ex-governador Geraldo Alckmin tivesse vencido a eleição presidencial de 2006. “A minha posição é algo que não pode faltar ao PSDB: coerência. Se o Alckmin tivesse sido eleito, essa discussão da CPMF não estaria existindo [no partido]. Nós criamos o imposto, não fica bem adotar uma posição contraditória.” O governador de São Paulo, José Serra, negou que o partido esteja dividido sobre a CPMF. “Não há divisão. O partido não é uma igreja e, mesmo na igreja, tem diferenças de ponto de vista. O importante é a unidade, a conversa, a compreensão recíproca de cada opinião que não é a sua. O partido, para conviver, precisa entender as diferenças. E procurar a partir daí uma solução.” Segundo ele, a palavra final caberá à bancada do PSDB no Senado, onde tramita a PEC que propõe a prorrogação da CPMF. “Estamos trabalhando no Senado, que tem autonomia. Cada bancada tem a sua linha de orientação de acordo com as circunstâncias. Essa questão toda é analisada no âmbito da bancada.” O esforço pessoal do presidente Lula precisará ser maior após a queda do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), que estava responsável pela coordenação política e articulava a aprovação da CPMF no Senado. A oposição já detectou que a substituição de Walfrido por José Múcio deve atrapalhar a votação da CPMF e pretende explorar a mudança para derrotar a matéria no plenário.
“Um ministro novo com três crises novas terá o dobro de dificuldades. O Walfrido já administrava essas crises. No mínimo, a mudança prejudica o governo”, afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), se referindo ao PDT, PRB e PTB.
O governador de Minas, Aécio Neves, adotou um tom conciliador e disse que o PSDB pode voltar a negociar o apoio à CPMF se o governo fizer uma boa proposta para a bancada tucana. “O governo tem de meter a mão no bolso. O que não fez até agora. Se quer ter uma arrecadação de R$ 45 bilhões, é preciso que a desoneração não seja de fachada como foram nessas propostas até agora. Se o governo estiver disposto a isso eu acho que o PSDB tem por obrigação, até por ser o partido responsável que é, discuti-la.” Segundo ele, o PSDB não deve fazer uma oposição irresponsável. “Eu não acho que nós temos de repetir o estilo PT de fazer oposição, que considerava e encontrava vícios de origem em tudo o que vinha do governo. O PT quando era oposição ao nosso governo, tudo o que vinha do governo era contra. Foi contra o plano de estabilidade econômica, foi contra o Plano Real, contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, contra inúmeras propostas de reforma que hoje ele está propondo.”
Fonte: Jornal Hoje em Dia